Bem-vinda, Stella

Bem-vinda, Stella

Em meio a uma choradeira sem fim, um turbilhão de emoções e mais de 27 horas de trabalho de parto, chegava ao mundo aquela que mudaria nossa vida para sempre.

Dia a dia 6 min de leitura

Sim, isso mesmo que você leu. Foram mais de 27 horas de espera entre o início do trabalho de parto e o nascimento da nossa pequena. Apesar das dificuldades, que te conto ao longo deste artigo, nossa princesa nasceu com muita saúde.

As primeiras contrações

Uma das tradições de muitas famílias é o famoso lanche no sábado à noite. E naquele sábado, dia 25 de setembro, não foi diferente.

Por estarmos vivenciando uma pandemia, decidimos evitar ao máximo sair de casa. Sendo assim, passamos a pedir lanches e outros tipos de comida para comer em nossa casa ou na casa dos meus sogros.

Como a Gabriela já estava no último mês de gravidez, decidimos pedir o lanche em casa mesmo e convidamos toda nossa família (meu sogro, sogra e minha cunhada) para comer com a gente. No meio daquela noite, a Gabi começou a ter as primeiras contrações, mas preferiu não falar para a família, apenas me avisou com olhares. Na hora a ansiedade começou a tomar conta de mim, mas me mantive firme para não alarmar a família, isso tudo aconteceu por volta das 9 horas da noite.

Ah, vale lembrar que a Gabi optou por contratar uma enfermeira particular para ajudá-la, já que o seu desejo era o parto normal.

Quando terminamos de jantar, todos foram embora e aproveitamos para entrar em contato com nossa enfermeira. Ela nos informou que as contrações estavam apenas no início e que deveríamos aproveitar para descansar, no caso da minha esposa “tentar descansar”. Com isso, fomos "tentar" dormir.

Partiu, hospital

Por volta das 3h da manhã as contrações aumentaram, acordei com a Gabi me chamando e entramos novamente em contato com a enfermeira.

Quando ela chegou em casa, realizou alguns movimentos com a Gabi e alguns exames de toque, para ter certeza de que estava tudo bem, e graças a Deus estava. Em um desses exames a bolsa estourou e então percebemos o quão perto estávamos do nascimento... Ou será que ainda não?!

Além dessa enfermeira, também contratamos uma fotografa para registrar os momentos através de fotos e vídeos. Aliás, essa foi uma das melhores decisões que tomamos, caso contrário, não teríamos registro algum do acontecido.

Após muito esforço, muitos exercícios e 15 horas depois, finalmente fomos para o hospital. Lembrando que tudo estava sendo monitorado pela enfermeira que contratamos.

Chegamos lá por volta das 7 horas da noite. A Gabi estava sendo monitorada o tempo todo pela enfermeira e vez ou outra pela médica, o processo de tentativa de parto normal continuou, só que em um dos quartos do hospital.

E quando o bebê não encaixa?

Tivemos a sorte de sermos atendidos pela mesma médica que estava nos atendendo nas consultas durante toda a gestação. Eu particularmente acredito que isso ajuda em algumas situações, por se tratar de uma pessoa que já tem todo histórico, afinidade e claro, a confiança da paciente.

Foram mais 11 horas de tentativa para o parto normal, infelizmente sem sucesso. Apesar disso, a Gabi foi muito guerreira, me surpreendi muito com sua força e determinação.

A decisão final

Não foi uma escolha fácil, principalmente para a Gabi que passou toda a gravidez planejando o parto normal, inclusive a escolha pela enfermeira foi devida essa opção de parto. Apesar de tudo isso, a Stella não encaixou de uma maneira que fosse possível realizar o parto normal sem causar maiores riscos a ela e a Gabi.

Desde o início tentei me preparar psicologicamente para esse tipo de situação, para poder ajudar a Gabi a tomar uma decisão mais sensata ou necessária, já que em momentos como esse, muitas vezes, é complicado para a mãe raciocinar sozinha. Conversei com ela, com a médica, com a enfermeira e decidimos pela cesariana.

Conhecendo minha filha

A Gabriela entrou no centro cirúrgico às 6h da manhã, do dia 27 de setembro, uma segunda-feira.

O que era para ser apenas alegria, se tornou um terror e passamos por mals bocados. Em breve farei um artigo apenas sobre esses momentos e sobre a importância do casal continuar unido em todos as fases do parto.

Só para contextualizar, minha esposa tem um problema na coluna, o que dificultou imensamente a aplicação da anestesia raquidiana (raqui) nela. Para se ter uma ideia, foi cogitado até mesmo a aplicação da anestesia geral, o que poderia fazer minha filha nascer sem vida para depois tentar ser ressuscitada. Mas, Deus é bom o tempo todo, começou a operar um verdadeiro milagre em nossas vidas e isso não foi necessário.

Após a anestesia raqui surtir efeito, fui chamado para sala para acompanhar o nascimento da minha filha. E foi a melhor hora da minha vida, um momento mágico e indescritível. Realmente só quem vivencia isso, sabe!

Nossa filha nasceu as 6h30m da manhã (por curiosidade, no mesmo dia de nossa afilhada Carol) com aproximadamente 3.720 quilos e 52 centímetros de comprimento. Bem roxinha, por sinal.

Após o nascimento, peguei-a no colo e não consigo descrever a sensação. Só de escrever agora, depois de quase 10 meses, ainda me emociono muito.

A maior e melhor experiência da minha vida

Hoje posso falar que tenho muito orgulho de algumas atitudes como pai. Entre elas a de participar do início ao fim do trabalho de parto, ao lado da minha esposa. Não a deixei por nenhum momento, com exceção das tentativas de anestesia, quando fui proibido de entrar na sala por alguns minutos.

Isso me proporcionou uma experiência que eu jamais irei esquecer e nos uniu ainda mais como casal.

Outro motivo de orgulho foi ajudar minha esposa no momento da escolha pela cesariana, inclusive aqui fica a minha dica para todo casal: conversem muito sobre o parto durante a gestação para que um possa ajudar o outro nesse momento.

Agradeço muito a Deus por olhar por nós naquele momento. Apesar de ser algo tão comum e rotineiro para a humanidade, o parto é algo muito perigoso e que nos dá muito medo, não importa o quanto nos preparemos para esse momento.

Tenho Fé que Jesus e Maria intercederam por nós naquele dia, e por isso, decidimos colocar o nome de nossa filha de Stella Maria.

Gostou? Então, fique por aqui e leia os próximos artigos!

Ah, conheça nosso Instagram, @loucurasdepai, lá você pode acompanhar conteúdos inéditos sobre minha experiência paterna e familiar.

Nos vemos lá. Até a próxima!

Poxa, já vai nos deixar? 😥

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